domingo, 8 de março de 2009

Domingos São Dias Tristes

Apertam a minha garganta
As mãos ásperas da saudade
Espremem a minha alma
Até as lágrimas nos meus olhos

Os seus braços longos sempre me alcançam
A sua suavidade doce sempre me engana
Se eu continuasse correndo talvez me salvasse
Mas hoje é domingo e
São as pessoas de quem eu mais gosto
Ela, hipnótica, sabe disso

Apertam a minha garganta
As mãos impiedosas da saudade
Espremem o meu coração
Até as dúvidas na minha mente

Talvez não fosse preciso nada disso
E pudéssemos estar sempre próximos
De todos a quem amamos
Mas somos tolos e preferimos soltar as mãos
Apenas para nos sentir mais fortes

Pior é que essa revolta mansa
Apenas se traduz num chorar contido
Quase envergonhado
E na certeza de que além desse poema
Nem tão triste assim, nem tão doído
Nada será mudado
Melhor seria que a saudade me esquecesse
E que eu sempre acreditasse
Que o destino é quem manda na gente
Pelo menos algumas vezes...

segunda-feira, 2 de março de 2009

Crise da Meia Idade

Óbvio que estou em crise da meia idade. Conversando com os amigos, porém, vejo que existem muitas maneiras de sair dessa crise. Veja apenas um dos muitos relatos que tenho escutado:

(Esse meu amigo acabou de fazer 50 anos e mantém um casamento de 25 anos com uma mulher da sua mesma idade)...

"Quando eu completei 25 anos de casado, introspectivo, olhei para minha esposa e disse:

- Querida, 25 anos atrás nós tínhamos um fusquinha, um apartamento caindo aos pedaços, dormíamos em um sofá-cama e víamos televisão em uma TV preto e branco de 14 polegadas. Mas, todas as noites, eu dormia com uma loira Gostosa, de 25 anos.

E continuei:

-Agora nós temos uma mansão, duas Mercedes, uma cama super-King-size e uma TV de plasma de 50 polegadas, mas eu estou dormindo com uma senhora de 50 anos. Parece-me que você é a única que não está evoluindo.

Minha esposa, que é uma mulher muito sensata, disse-me então, sem sequer levantar os olhos do que estava fazendo:

- Sem problemas. Saia de Casa e ache uma loira de 25 anos de idade que queira ficar com você. Se isso acontecer, com o maior prazer eu farei com que você, novamente, consiga viver em um apartamento caindo aos pedaços,durma em um sofá-cama e não dirija nada mais do que um fusquinha.

Sabe que fiquei curado da minha crise de meia-idade?"

Pois é... Pena que mulheres sensatas sejam raridade.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Olá!

Olá, meu blog, eis-me aqui de volta. Aconteceram coisas. Tive pouco tempo. Não me lembrei de você. Não tem problema. O tempo que me faltou foi usado para ajudar outras pessoas. Queridas. Não é um ritmo de vida, é uma circunstância. Acho.

Hoje é terça de carnaval. Neste carnaval trabalhei na roça. Cortamos e carregamos madeiras velhas para usar como lenha na colheita de café, em maio. Quando volto para a cidade no meu caminhão, volto sujo e feio. Há uma caldaria no meu caminho. Escolho uma mesa de canto, afastada, e peço uma cerveja e um caldo de feijão e mocotó. Arroto alto e palito os dentes. Como se me aproveitasse do personagem que encarno. Minha barba sempre por fazer me completam o (mau) aspecto. Meus cabelos são quase todos brancos. Minha barriga nada tem de discreta. Reparando bem, estou meio derrubado. Para dizer o mínimo. Não sei no que as mulheres ainda se interessam...

Depois que resolvi pensar na vida minha vida tem sido um inferno. Deixei de acreditar. Abandonei meus sonhos, quase todos. Perdi todas essas coisas que nunca tive. Sou mais matemático e menos romântico. Tenho que me contentar com muito menos. Acho que vou aprender piadas novas.

Não ter sentido nada de especial ao deletar uma "amiga" da minha vida me deixou meio apavorado. O motivo foi cobrança. Não sei se eu devia o que me foi cobrado, mas na minha matemática crua resolvi que o melhor para mim era nunca mais ser cobrado. De atenção, de constância, de consideração. É muito chato ser submetido a tais obrigações. Eu, imperador dessa minha vidinha, decreto: apenas aceitem-me, mas não me chateiem!

Vou ter mesmo que aprender piadas novas...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo, de novo




Sou um homem em preto e branco.
Teimoso.
Sonho colorido.
Inconsequente.
Abandono sonhos como se
fossem
escovas de dentes?
cuecas velhas?
filhotes de cães?
Um carro usado, talvez
que se troca.
Por algo mais moderno.
Toda cauda que juntei ao longo de anos
vai se arrastando pela estrada
sobrevivendo em pedaços
teimosamente
enquanto luto para me livrar de tudo.
Um dia serei somente eu.
Sufocado pela absoluta
liberdade
de não ser mais do que o ser.
Acho.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

É Rata


Não seria isso matéria da psicologia? Filosofia inclui? Sociologia? Para quem está perdido qualquer atalho é estrada...

Mais Filosofia e Desisto

O que causa mais um copo. Esse roçar de pernas pode significar. Essa moça em minha frente é bem gostosa. Prometo-lhe mandar a lista. Prometo lhe recomendar. Dar um livro de presente. Concluo que sou generoso porque desejo exercer poder sobre as pessoas que ajudo. Que estão na minha primeira infância as razões pelas quais sinto tesão por todas as mulheres gostosas. Que ser generoso com uma mulher gostosa me faz duplamente culpado. Que filosofia é coisa de maluco. Procuro outra mesa onde falam de futebol e peço ao garçom para trocar meu copo. Vamos ver agora a situação dos cinco primeiros colocados da primeira divisão...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Filósofo Eventual

A que me destino não me interesso. Como indivíduo. Descubro-me filósofo. Melhor que isso. Irmão do mundo. O negro e o japonês, o rico e o bobo. Relativismo. O grão insignificante, no areal. A gota indissolúvel e definitiva, amalgamada e nada, nos oceanos. Corte. Outra dimensão. Entre pares, entre filhos, entretantos. Prego a fluição e a fruição, livres e completos, como casca de noz em dia de enxurrada, pelas sarjetas. Prego a atenção aos sinais. Como duas castanhas, bebo um cálice de vinho tinto, dissolvo meu colesterol em banho-maria, colé, esterol?! Olho e entre todos todos me ouvem menos um, que sou o próprio. Não falo mais nada. Só mais um copo.